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Desenvolvimento da adenomiose: da origem ao diagnóstico

Mulher segurando modelo anatômico de útero
Imagem: Shutterstock

Condição ginecológica é caracterizada pela presença de tecido endometrial no interior do músculo uterino, podendo causar alterações na qualidade de vida.

O desenvolvimento da adenomiose ocorre quando o tecido que normalmente reveste a parte interna do útero (endométrio) passa a infiltrar o miométrio, que é a camada muscular uterina. Esse processo desencadeia inflamação, espessamento da parede do útero e alterações estruturais que podem evoluir ao longo dos anos.

Embora seja uma condição benigna, a adenomiose pode impactar significativamente a rotina da paciente, principalmente devido à dor e ao sangramento menstrual intenso. A seguir, entenda como ocorre o desenvolvimento da adenomiose, quais são seus fatores associados, sinais de alerta, formas de diagnóstico e opções de tratamento.

Desenvolvimento da adenomiose: quais as causas?

O desenvolvimento da adenomiose ainda não possui uma causa única e totalmente definida. No entanto, existem teorias que ajudam a explicar como a condição se instala.

Uma das hipóteses mais aceitas é a de que pequenas lesões na interface entre o endométrio e o miométrio favoreçam a invasão do tecido endometrial para dentro da musculatura uterina. Essas alterações podem ocorrer ao longo da vida reprodutiva, especialmente em situações que envolvem traumas uterinos.

Outra teoria sobre o desenvolvimento da adenomiose sugere que o próprio miométrio pode sofrer transformação celular, passando a apresentar características semelhantes ao endométrio. Além disso, fatores hormonais, principalmente relacionados ao estrogênio, parecem ter papel importante na progressão da doença.

Quais são os principais fatores de risco?

Alguns fatores estão associados a maior probabilidade de desenvolvimento da adenomiose. São eles:

  • Idade entre 35 e 50 anos;
  • Histórico de múltiplas gestações;
  • Cirurgias uterinas prévias, como cesariana;
  • Procedimentos como curetagem;
  • Exposição prolongada ao estrogênio;
  • Presença de outras condições ginecológicas, como endometriose.

A associação com a endometriose é frequente, embora sejam doenças distintas. Ambas envolvem tecido semelhante ao endométrio fora de sua localização habitual, mas apresentam mecanismos e manifestações diferentes.

Sinais de alerta durante a evolução da adenomiose

Durante o desenvolvimento da adenomiose, os sintomas podem surgir de forma progressiva. Em alguns casos, a condição é assintomática; em outros, os sinais se intensificam com o passar do tempo.

Os principais sintomas incluem:

  • Cólicas menstruais intensas e progressivas;
  • Sangramento menstrual aumentado (menorragia);
  • Menstruação prolongada;
  • Dor pélvica crônica;
  • Sensação de pressão na pelve;
  • Aumento do volume uterino.

Em estágios mais avançados, pode haver impacto na fertilidade ou dor durante as relações sexuais. A intensidade dos sintomas nem sempre está diretamente relacionada ao grau de infiltração do tecido.

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico da adenomiose é feito com base na avaliação clínica e em exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal é frequentemente o primeiro exame solicitado, podendo identificar alterações como espessamento da parede uterina, áreas heterogêneas no miométrio e aumento do tamanho do útero.

Em casos de dúvida diagnóstica ou necessidade de maior detalhamento, a ressonância magnética pélvica pode ser indicada. Esse exame oferece maior precisão na avaliação da extensão da infiltração do tecido endometrial no músculo uterino.

O diagnóstico definitivo só é possível por análise histopatológica, geralmente após histerectomia, mas na prática clínica o diagnóstico é predominantemente baseado em exames de imagem e sintomas.

Opções de tratamento e controle da adenomiose

O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da idade da paciente, do desejo reprodutivo e do grau de comprometimento uterino.

Entre as opções clínicas estão:

  • Anti-inflamatórios para controle da dor;
  • Terapia hormonal para reduzir o estímulo estrogênico;
  • Dispositivo intrauterino hormonal;
  • Medicamentos que induzem amenorreia temporária.

O objetivo principal é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, já que nem sempre é necessário tratamento cirúrgico.

Quando a cirurgia de adenomiose é recomendada?

A cirurgia de adenomiose geralmente é considerada quando:

  • Há falha no tratamento clínico;
  • A dor é intensa e persistente;
  • O sangramento causa anemia recorrente;
  • A qualidade de vida está significativamente comprometida.

A histerectomia é a abordagem definitiva para mulheres que não desejam mais engravidar. Em casos selecionados, podem ser consideradas técnicas conservadoras para preservar o útero, dependendo da extensão da doença.

O acompanhamento com ginecologista é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica de forma individualizada, considerando o estágio do desenvolvimento da adenomiose e os objetivos da paciente. Agende uma consulta com o Dr. Caio Lett.

 

Fontes:

National Institutes of Health

Febrasgo