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Cirurgia de endometriose profunda: quando é indicada?

Doutor conversando com paciente antes da cirurgia de endometriose profunda
Imagem: Shutterstock

Intervenção cirúrgica para endometriose profunda é indicada quando a doença compromete órgãos pélvicos, causa dor intensa ou ameaça a fertilidade

A endometriose profunda é uma forma da doença que penetra profundamente nas estruturas pélvicas, causando dor crônica, disfunção intestinal e, em muitos casos, prejuízo à fertilidade. Saber quando optar pela cirurgia é essencial para um plano terapêutico eficaz. Em situações onde a dor é incapacitante, há comprometimento de órgãos pélvicos ou falha de terapias hormonais, a cirurgia de endometriose profunda deve ser considerada como opção terapêutica. A decisão é sempre individualizada e deve envolver avaliação clínica e exames de imagem.

O que é a endometriose profunda? É grave?

A endometriose profunda caracteriza-se por implantes que ultrapassam cinco milímetros de profundidade na superfície peritoneal e que frequentemente envolvem órgãos como reto, bexiga e ureteres. Essa forma pode levar à dor pélvica intensa, dispareunia e alterações intestinais que afetam a qualidade de vida. Em alguns casos, a doença cria aderências e nódulos que alteram a anatomia pélvica, tornando o manejo clínico mais difícil. A gravidade depende da extensão das lesões e do comprometimento funcional dos órgãos envolvidos.

A indicação da intervenção cirúrgica depende do quadro clínico e de exames complementares.

Quando a cirurgia de endometriose profunda é indicada?

A indicação cirúrgica surge quando o tratamento clínico, incluindo terapias hormonais e analgésicos, não controla a dor, quando há suspeita de comprometimento orgânico (como obstrução ureteral ou estenose intestinal) ou quando a doença prejudica a fertilidade. A presença de massa pélvica sintomática ou evolução rápida das lesões também pode justificar a intervenção.

Em situações de obstrução intestinal parcial, hidronefrose por compressão ureteral ou impotência funcional de órgãos, a cirurgia de endometriose profunda costuma ser a melhor alternativa para restaurar a anatomia e aliviar sintomas. A decisão de operar deve ser multidisciplinar e planejada.

Como a cirurgia de endometriose profunda é feita?

O objetivo da cirurgia é ressecar os focos da doença com precisão, preservando ao máximo a função dos órgãos. As técnicas mais empregadas são a laparoscopia e a cirurgia robótica, ambas minimamente invasivas. A escolha da via depende da extensão da doença, do envolvimento de estruturas como reto ou bexiga, da necessidade de reconstrução e da experiência da equipe cirúrgica.

Por se tratar de um procedimento complexo, a cirurgia exige equipe preparada e planejamento para eventuais reparos, como anastomoses intestinais ou reconstrução vesical.

Laparoscopia

Na laparoscopia, o cirurgião utiliza pequenos instrumentos e uma câmera, permitindo ressecções precisas com incisões mínimas.

Cirurgia robótica

A via robótica oferece visão tridimensional e instrumentos articulados, facilitando dissecções finas e suturas complexas. É especialmente vantajosa em áreas com aderências densas e anatomia distorcida, pois permite ressecções mais seguras, menor sangramento e maior conforto para o cirurgião. Quando indicada, a cirurgia robótica é planejada com equipes multidisciplinares para tratar eventuais ressecções digestivas ou urológicas em um único tempo operatório.

Cuidados pós-operatórios e recuperação

O pós-operatório da cirurgia de endometriose profunda exige atenção especial para garantir boa cicatrização, controle da dor e prevenção de complicações. Os principais cuidados incluem:

  • Controle da dor: uso de analgésicos conforme prescrição médica para aliviar o desconforto pélvico;
  • Prevenção de infecções: monitoramento de febre, vermelhidão ou secreção nas incisões;
  • Profilaxia tromboembólica: medicação e mobilização precoce para reduzir risco de trombose;
  • Cuidados com as incisões: higienização adequada e observação de sinais de inflamação;
  • Acompanhamento hospitalar: alta geralmente entre 24 e 72 horas em procedimentos minimamente invasivos; internação prolongada quando há ressecção intestinal ou reparo vesical;
  • Reabilitação: fisioterapia pélvica e suporte nutricional quando indicados para acelerar a recuperação;
  • Atenção aos sinais de alerta: febre, dor progressiva, sangramento intenso ou alterações intestinais devem ser comunicados imediatamente ao médico.

Quanto tempo leva para voltar às atividades normais?

O retorno às atividades varia conforme a extensão do procedimento. Ressecções menores e procedimentos puramente laparoscópicos costumam permitir retomada de atividades leves em poucos dias e retorno ao trabalho em 1 a 3 semanas, dependendo da função exigida. Ressecções abdominais extensas ou com suturas intestinais podem exigir 4 a 8 semanas de recuperação e acompanhamento específico. A elaboração de um plano de retorno individualizado após o procedimento melhora os resultados funcionais.

Toda mulher com endometriose profunda precisa de cirurgia?

Nem sempre. Muitas pacientes respondem bem ao tratamento clínico com hormonioterapia e manejo da dor. A indicação de cirurgia de endometriose profunda deve ser personalizada, considerando sintomas, impacto na qualidade de vida, desejo reprodutivo e alternativas terapêuticas. Quando a paciente deseja engravidar e há suspeita de lesões que prejudicam a implantação ou a anatomia tubária, a cirurgia pode ser indicada com objetivo reprodutivo. Em outras situações, a opção conservadora com vigilância é adequada.

É possível a endometriose voltar após a cirurgia?

Sim. A recidiva é uma realidade clínica. Mesmo com ressecção completa, fatores hormonais e biológicos podem favorecer o surgimento de novas lesões. Estratégias para reduzir recidiva incluem terapia hormonal pós-operatória quando indicada, acompanhamento clínico periódico e adoção de medidas de suporte, como fisioterapia pélvica e controle da dor. O seguimento regular permite diagnóstico precoce de recidiva e intervenções menos invasivas.

Pré-operatório e avaliação detalhada

Antes da cirurgia, é fundamental realizar avaliação clínica completa, exames de imagem e definição da estratégia terapêutica. A ressonância magnética pélvica ajuda a mapear a extensão das lesões e planejar ressecções complexas, enquanto exames laboratoriais avaliam a condição clínica para anestesia.

O planejamento inclui esclarecimento sobre riscos, benefícios e alternativas, além de orientações sobre medicações em uso e eventual suspensão de anticoagulantes.

Dr. Caio Lett: especialista em cirurgia de endometriose profunda

O Dr. Caio Lett é ginecologista com formação em endoscopia, videolaparoscopia e treinamento em cirurgia robótica. Ele coordena abordagens multidisciplinares para casos complexos, integrando ginecologistas, coloproctologistas e urologistas quando necessário. Sua experiência em técnicas minimamente invasivas permite realizar a cirurgia de endometriose profunda com foco em ressecção completa, preservação funcional e recuperação otimizada.

Agende já sua consulta com o Dr. Caio Lett.

 

Fontes:

Ministério da Saúde

Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva

Associação Médica Brasileira