Várias são as condições de saúde que podem causar o problema. Por isso, é preciso investigar suas causas para iniciar o tratamento adequado.
O sangramento uterino anormal é uma condição que ocorre em cerca de 30% das mulheres e, na maioria dos casos, pode ser um sintoma de diversas condições ginecológicas. Ele é caracterizado por um sangramento menstrual imprevisível em tempo, quantidade ou duração.
Saiba mais sobre este tema continuando a leitura deste texto.
O que é o sangramento uterino anormal (SUA)?
O ciclo menstrual médio é de 28 dias (faixa normal de 24 a 35 dias) de duração, e a menstruação normalmente dura de três a cinco dias, podendo variar de dois a sete. A quantidade média de perda de sangue durante um período é de 30 ml, equivalente a duas colheres de sopa. É considerado sangramento uterino anormal (SUA) quando uma mulher perde mais de 80 ml durante a menstruação (cerca de cinco colheres de sopa), com ciclos longos e imprevisíveis.
O sangramento uterino anormal pode ocorrer em qualquer idade entre a menarca (primeira menstruação) e a menopausa (última menstruação), sendo mais frequente próximo a estes extremos da vida reprodutiva da mulher.
O que pode causar sangramento uterino anormal?
Existem algumas causas possíveis de sangramento uterino anormal. Dentre elas, destacam-se:
- Alterações hormonais;
- Perda ou ganho de peso rápido;
- Estresse emocional ou físico;
- Uso de dispositivo intrauterino (DIU);
- Gravidez ectópica;
- Aborto espontâneo;
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP), miomas, pólipos, adenomiose e endometriose.
Outras condições de saúde menos comuns, mas que podem levar ao sangramento uterino anormal, são:
- Câncer do colo do útero ou de endométrio;
- Doenças que afetam rins, fígado, tireoide ou glândulas suprarrenais;
- Infecção do colo do útero ou endométrio;
- Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Como diferenciar um sangramento uterino anormal de um ciclo menstrual irregular?
O sangramento uterino anormal causa alguns sinais que o diferenciam de um ciclo menstrual irregular. São eles:
- O fluxo menstrual é tão intenso que a mulher precisa substituir seu absorvente a cada hora;
- Necessidade de utilizar absorventes maiores durante a noite;
- Período menstrual que dura mais de sete dias;
- Fluxo menstrual com a presença de grandes coágulos sanguíneos;
- O fluxo menstrual intenso interfere no estilo de vida;
- Dor constante ou cólicas na parte inferior do abdômen durante o período menstrual;
- Sangramento após a menopausa;
- Períodos com intervalos inferiores a 24 dias ou superiores a 35 dias;
- Cansaço, fadiga ou falta de ar (sintomas de anemia).
Possíveis complicações causadas pelo sangramento uterino anormal
As complicações que podem ocorrer com sangramento uterino anormal incluem dificuldades para engravidar e anemia.
Como diagnosticar o SUA?
O primeiro passo para o diagnóstico de sangramento uterino anormal é uma avaliação médica que inclui perguntas relevantes como a frequência com que a mulher menstrua, tempo de duração da menstruação, se o fluxo é intenso e se ocorrem sangramentos entre os períodos menstruais e após as relações sexuais.
Em seguida, o médico pode solicitar alguns exames, como:
- Exame de sangue: verifica a presença de anemia, que pode ser causada pela perda excessiva de sangue, e também se os níveis hormonais estão desequilibrados ou se há um distúrbio sanguíneo ou doença crônica;
- Ultrassonografia: avalia o interior do útero para identificar condições como miomas ou pólipos;
- Histeroscopia: também avalia o interior do útero, porém de maneira mais detalhada;
- Biópsia: retirada de uma pequena amostra de tecido do útero em busca de células anormais;
- Ressonância magnética: exame de imagem que também ajuda a visualizar o útero e outros órgãos do sistema reprodutivo.
Como tratar o sangramento uterino anormal?
O tratamento para o sangramento uterino anormal deve ser estabelecido conforme a causa que está levando ao problema. Se uma doença crônica ou um distúrbio sanguíneo estiver na raiz do sangramento, tratá-la pode ajudar.
O tratamento também pode variar dependendo do desejo da mulher de ter ou não filhos.
Os medicamentos geralmente são a primeira opção de tratamento para o sangramento uterino anormal. Eles incluem:
- Medicamentos hormonais, como o uso de pílulas anticoncepcionais, que podem ajudar a tornar os ciclos menstruais regulares e reduzir o fluxo sanguíneo;
- Agonistas do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) e antagonistas do GnRH controlam o sangramento intenso;
- Anti-inflamatórios não esteroidais ajudam no controle do sangramento;
- Ácido tranexâmico, que também reduz o sangramento uterino intenso;
- DIU, também focado no controle do sangramento.
Quando o tratamento cirúrgico é indicado?
A cirurgia para tratamento do sangramento uterino anormal é indicada quando os demais tratamentos não obtiveram o resultado esperado. Entre os procedimentos cirúrgicos recomendados para essa condição, estão:
- Ablação endometrial: técnica que usa calor, frio, eletricidade ou laser para destruir o tecido que reveste o útero (endométrio), interrompendo ou reduzindo a quantidade de sangramento;
- Miomectomia ou embolização da artéria uterina: indicadas quando a causa do sangramento uterino anormal está relacionada à presença de miomas;
- Histerectomia: cirurgia que remove parte ou totalmente o útero. É indicada em casos extremos, especialmente quando os miomas forem muito grandes ou quando há o diagnóstico de câncer de endométrio ou de colo do útero.
Fontes:


